"A moda está cada vez mais ecológica e arrojada. Desde plantas exóticas a sacos de plástico, vale tudo"

Não é por acaso que todos os dias acontecem milhares de eventos de moda eco em todo o mundo. O aparecimento de novos materiais é um sinal de mudança no mundo da moda. Quer seja a abertura de uma loja, um desfile ou uma festa, tudo é desculpa para aderir ao movimento Eco-fashion. A ecologia passou a ser uma preocupação da indústria têxtil, uma das mais poluidoras do mundo. Esta tendência começou a ser lançada nos anos 70, e em países como a Índia ou a China estes novos materiais já eram usados. Progressivamente, com a abertura dos mercados orientais foram descobertos materiais versáteis, originais e eco-sustentáveis, que se tornaram uma alternativa aos sintéticos. Nesta onda ecológica, a moda desportiva teve um papel fundamental ao optar por materiais com base natural, que impulsionaram um novo mercado. Vários designers têm vindo a apostar na mistura de fibras orgânicas e sintéticas, para garantirem uma maior durabilidade e conforto. Segundo os especialistas, o segredo está em saber misturar para que haja um valor acrescentado, seja pelo toque ou pela originalidade. Reciclar “lixo” e transformá-lo em peças únicas é outra alternativa.
Numa sociedade consumista cada vez mais consciente, o significado passou a ditar as tendências. A etiqueta e a origem dos materiais passou a ser um factor de escolha dos consumidores. A origem dos materiais, a forma como são produzidos e os danos que provocam no meio ambiente são as preocupações destes novos consumidores, que através das suas escolhas reflectem uma outra forma de estar. Nesta lógica de que “menos é mais”, a não austeridade ganhou maior destaque e as celebridades têm dado a sua quota-parte ao darem visibilidade a esta nova tendência. Umas das marcas pioneiras, a Benetton, começou por fabricar tecidos em cru que eram depois estampados, evitando o tingimento. Hoje, várias marcas copiaram este conceito e já têm à venda linhas 100 por cento ecológicas, como é o caso da Zara ou da H&M.
Os designers portugueses também aderiram à tendência. A dupla da Blindesign, Rita Melo e Rita Carrilho, foi reconhecida há algum tempo na New York Design Week com o projecto Revolta das Embalagens, que reutiliza lixo urbano, transformando pacotes de leite em malas prateadas com um aspecto amachucado.O estilista Ricardo Preto gosta de misturar tecidos orgânicos e sintéticos, e não utiliza peles. “Também acho importante dar uma utilização ao nosso lixo, aproveitando retalhos e tecidos. O Eco está a abrir-nos a porta para a roupa inteligente, criando peças vanguardistas e futuristas com novas funcionalidades. Mas o meu principal objectivo é o conforto e a durabilidade, porque gosto do conceito do vestido com uma história que passa de mãe para filha”, diz.
Na historia dos Story Tailors conta uma parceria com a Hyphen e a criação de uma linha exclusiva com protecção solar. “As roupas são fabricadas com fibras que não agridem o meio ambiente e são concebidas para peles sensíveis. As nossas colecções são praticamente só feitas com tecidos naturais, como a lã e o algodão. Os produtos sintéticos derivados do petróleo, se forem reaproveitados, são bastante úteis. Por isso, tentamos usar resíduos da indústria da madeira para criar materiais que podem ser reciclados e transformados em tecidos 100 por cento degradáveis”, observam, lembrando que a tendência eco não é novidade. “É uma falsa tendência de mercado, porque os próprios tecidos já nos foram apresentados há pelo menos cinco anos. E em Portugal, apesar de estarmos sempre atrasados em relação a estes movimentos, já está a ser implementada. Mas se formos quantificar as colecções das marcas ecológicas, representam apenas cerca de 5 por cento, e são normalmente peças básicas e de consumo imediato, porque são mais baratas.”Sem abdicar do look glamouroso e cool, há várias opções. Materiais como o bambu ou o plástico reciclado são só algumas das alternativas.
Por: Sofia Francisco
Portugal
www.maxima.pt

Não é por acaso que todos os dias acontecem milhares de eventos de moda eco em todo o mundo. O aparecimento de novos materiais é um sinal de mudança no mundo da moda. Quer seja a abertura de uma loja, um desfile ou uma festa, tudo é desculpa para aderir ao movimento Eco-fashion. A ecologia passou a ser uma preocupação da indústria têxtil, uma das mais poluidoras do mundo. Esta tendência começou a ser lançada nos anos 70, e em países como a Índia ou a China estes novos materiais já eram usados. Progressivamente, com a abertura dos mercados orientais foram descobertos materiais versáteis, originais e eco-sustentáveis, que se tornaram uma alternativa aos sintéticos. Nesta onda ecológica, a moda desportiva teve um papel fundamental ao optar por materiais com base natural, que impulsionaram um novo mercado. Vários designers têm vindo a apostar na mistura de fibras orgânicas e sintéticas, para garantirem uma maior durabilidade e conforto. Segundo os especialistas, o segredo está em saber misturar para que haja um valor acrescentado, seja pelo toque ou pela originalidade. Reciclar “lixo” e transformá-lo em peças únicas é outra alternativa.
Numa sociedade consumista cada vez mais consciente, o significado passou a ditar as tendências. A etiqueta e a origem dos materiais passou a ser um factor de escolha dos consumidores. A origem dos materiais, a forma como são produzidos e os danos que provocam no meio ambiente são as preocupações destes novos consumidores, que através das suas escolhas reflectem uma outra forma de estar. Nesta lógica de que “menos é mais”, a não austeridade ganhou maior destaque e as celebridades têm dado a sua quota-parte ao darem visibilidade a esta nova tendência. Umas das marcas pioneiras, a Benetton, começou por fabricar tecidos em cru que eram depois estampados, evitando o tingimento. Hoje, várias marcas copiaram este conceito e já têm à venda linhas 100 por cento ecológicas, como é o caso da Zara ou da H&M.
Os designers portugueses também aderiram à tendência. A dupla da Blindesign, Rita Melo e Rita Carrilho, foi reconhecida há algum tempo na New York Design Week com o projecto Revolta das Embalagens, que reutiliza lixo urbano, transformando pacotes de leite em malas prateadas com um aspecto amachucado.O estilista Ricardo Preto gosta de misturar tecidos orgânicos e sintéticos, e não utiliza peles. “Também acho importante dar uma utilização ao nosso lixo, aproveitando retalhos e tecidos. O Eco está a abrir-nos a porta para a roupa inteligente, criando peças vanguardistas e futuristas com novas funcionalidades. Mas o meu principal objectivo é o conforto e a durabilidade, porque gosto do conceito do vestido com uma história que passa de mãe para filha”, diz.
Na historia dos Story Tailors conta uma parceria com a Hyphen e a criação de uma linha exclusiva com protecção solar. “As roupas são fabricadas com fibras que não agridem o meio ambiente e são concebidas para peles sensíveis. As nossas colecções são praticamente só feitas com tecidos naturais, como a lã e o algodão. Os produtos sintéticos derivados do petróleo, se forem reaproveitados, são bastante úteis. Por isso, tentamos usar resíduos da indústria da madeira para criar materiais que podem ser reciclados e transformados em tecidos 100 por cento degradáveis”, observam, lembrando que a tendência eco não é novidade. “É uma falsa tendência de mercado, porque os próprios tecidos já nos foram apresentados há pelo menos cinco anos. E em Portugal, apesar de estarmos sempre atrasados em relação a estes movimentos, já está a ser implementada. Mas se formos quantificar as colecções das marcas ecológicas, representam apenas cerca de 5 por cento, e são normalmente peças básicas e de consumo imediato, porque são mais baratas.”Sem abdicar do look glamouroso e cool, há várias opções. Materiais como o bambu ou o plástico reciclado são só algumas das alternativas.
Por: Sofia Francisco
Portugal
www.maxima.pt






