
Engana-se quem pensa que relacionamentos íntimos via computador e Internet não machucam o parceiro. Com exceção de uns poucos casais mais abertos, que até incentivam essa prática, nos demais provoca confusão, tristeza, raiva, às vezes rompimento. A tecnologia trouxe novidades que precisam ser discutidas pelos casais.
Nestes tempos de Internet, está ficando difícil reconhecer a linha divisória entre a fidelidade e a traição. Afinal, até que ponto o sexo virtual não é também real? Quem navega em sites pornográficos e interage com eles está sendo infiel com seu parceiro? O que a mulher deve fazer ao descobrir no histórico do computador que o marido se envolve com alguém via Internet?

Claro que há casamentos abertos, em que a prática é aceita e estimulada pelos parceiros. Mas essas uniões representam apenas uma minoria. E, embora mulheres também façam sexo virtual, tenho observado que os homens são os principais visitantes dos sites especializados. Quando flagrados, em geral tentam convencer a esposa de que se trata de algo trivial. Se ela protesta, alegam que sua reação é exagerada e antiquada. É preciso entender, porém, que envolver-se com sites pornográficos não é tão inofensivo assim. Se fosse, não seria comum fazê-lo às escondidas. É bom lembrar, inclusive, que algumas pessoas chegam a viciar-se em pornografia digital.
A mulher que flagra o marido quase sempre fica decepcionada, embora não saiba dizer se pode considerar aquilo uma traição. Confusa sobre como lidar com o ocorrido, ela sequer tem confiança para opinar e se posicionar de maneira firme. Então, vai se instalando uma certa permissividade na relação. Ele se sente mais à vontade, posto que seus hábitos passam a ser de conhecimento da mulher. Acredita que a infidelidade que comete, se é que comete, é de uma categoria mais amena, mais aceitável. Algumas mulheres, mesmo contrariadas, toleram o hábito do marido. Outras até concordam em participar das sessões, com medo de não estarem sendo companheiras. Mas há também aquelas que não admitem a prática.A situação é polêmica. É como se a tecnologia viesse impor a necessidade de se criar emendas nas regras que sempre serviram de referência para a vida do casal. Afinal, por ocasião dos juramentos matrimoniais, ninguém se lembrou de estabelecer normas para as visitas íntimas ao mundo chamado virtual.
Célia Horta, psicoterapeuta na capital paulista,














1 comentários:
A tal traição virtual é consequência e não causa. Sendo assim, deve-se ponderar até que ponto a tecnologia é instrumento de traição ou permissão.
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